quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Do outro lado da catraca



Ana deu sinal para o ônibus de Santa Amizade. No seu ponto apenas você esperava portanto ao estacionar o ônibus Ana subiu pelos poucos degraus para se deparar com um pequeno espaço com bancos ocupados por pessoas sorridentes e falantes mas estes são os bancos dos vovôs ou mamães e seus bebês. O lugar de Ana é do outro lado da catraca.
Seu Bilhete Único foi encostado na máquina que fica na catraca, e logo o cobrador tinha autorizado que Ana rodasse a catraca. E bem ali depois da catraca estava duas extensas fileiras de bancos em dupla onde cada um estava ocupado por uma pessoa. Sim, Ana observou a variedade de pessoas nesse corredor pois tinha estudante, bêbado, falador, negros, brancos, pardos e muitos que não tinham como rotular.
A garota Ana, estudante de filosofia como é, não pode deixar de comparar a viagem nesse ônibus com a da vida. Assim como na vida iniciamos ao redor de parentes que são alegres e gentis como os pais e principalmente os avós mas mesmo que aquele lugar seja confortável e convidativo temos de continuar pois precisamos encontrar o nosso verdadeiro lugar que tem algumas lutas e é longe de pessoas mais experientes igual nosso pais que já lutaram tanto e ainda lutam. A catraca pode ser qualquer mudança que tenhamos de nos adaptar, como o destino de Ana é a Santa Amizade digamos que ela pensou em seu primeiro dia de aula no Jardim de Infância, aquilo foi fácil como tudo quando se é criança. Ana apenas se sentou em uma das cadeiras e com menos de 5 segundos já brincava com seus novos amigos, no entanto ali no ônibus não existe crianças do Jardim de Infância, a escolha é mais difícil, qualquer lugar pode dar a Ana um destino diferente, como se ela se sentar ao lado do japonês pode se apaixonar, casar e ter filhos vivendo felizes para sempre mas ao sentar ao lado do loirinho de cara emburrada uma grande amizade surgirá ou sentar com a senhora de sacolas na mão seja a melhor opção já que com ela Ana consegue o emprego dos sonhos. São tantas opções com tantos destinos diferentes como na vida em que cada escolha lhe abre um leque de novas opções.
Gostaria de narrar que Ana teve um conflito ou reflexão maior sobre o assunto mas isso é apenas uma viajem de ônibus e como tal teve aquela freada brusca que praticamente jogou Ana, nossa filosofa, no banco da direita, aquele banco em que tinha um ser coberto da cabeça aos pés em um sono profundo que durou a viajem inteira ou até Ana chegar ao seu destino.
A complexidade e valor está na cabeça de quem vive a situação, mas assim como a da Ana tem coisas que são apenas situações corriqueiras.

sábado, 29 de outubro de 2011

O que realmente gosto



Estou no último ano do Ensino Médio e como é de praxe fizemos Pedágio – brincadeira de terceiranistas onde em um determinado dia da semana os alunos vão fantasiados de acordo com o tema escolhido – no dia da tribo eu fui de nerd porém essa proposta me fez pensar: a que tribo pertenço? Sinceramente não sou igual minha mãe que gosta de corte e costura, não entendo sobre de todos os assuntos do mundo como o meu pai, mesmo me importando não vivo pela política como minha amiga Agnes, por mais que seja preguiçosa não consigo ficar sem fazer nada como o Eric, jamais me imaginei sendo física como o Cotia quer, não suporto crianças por isso jamais serei professora infantil como minha irmã e não sou um artista como o Gabriel que escreve, desenha, compõe, toca, atua e tudo o mais.
Olhando para mim no espelho fiquei a procura do que eu realmente gosto, sabe eu realmente consigo lidar com corte e costura, procuro entender de todos os assuntos para saber argumentar, sei do básico da política brasileira que já me faz querer mudar tudo, realmente sinto uma preguiça daquelas de passar o dia sem fazer nada, compreendo que a física está presente em nossas vidas e na minha imaginação depois de cada livro/filme/música interpreto e por isso sou uma grande artista. Mesmo convivendo com tudo isso nada disso me faz os olhos brilhar.
Nesse ano aprendi muito com cada situação que vivi, sinto que estou amadurecendo devagar. Particularmente entendo um pouco mais de mim ou melhor, estou me aceitando mais agora. Descobrir que sou assexual foi um alívio que me tirou das costas o peso de ser uma ET, no entanto descobrir uma Stephanie romântica que chora por quase tudo e não é má muito menos forte a todo momento foi difícil de aceitar. Porém isso tudo era apenas preconceito da minha cabeça afinal é exatamente essas coisas que me levaram a descobrir o que realmente gosto. E sabe do que eu gosto? De histórias, histórias alegres e tristes, românticas e de suspenses, em filme, livro ou música, as que crio e as que vivo. São as histórias que me fazem os olhos brilharem, talvez porque é por meio delas que me torno personagem e vivo todo aquele mundo ou porque minha mente é muito fértil e precisa de alimento para sobreviver.
Existem pessoas que acabam se enganando por puro preconceito mas o que realmente se gosta jamais é cafona pois é importante para nós, como é importante para você é o que importa.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sempre esquerda



Desde o lendário Big Bem a humanidade só vem evoluindo. Cada nova geração agrega algo para a história. Infelizmente existe muitos conservadores que impedem a evolução, nessa hora que entra os revolucionários. Novamente infelizmente, minha geração e até mesmo a anterior se acomodou, muitos criticam em redes sociais porque é mais cômodo para si. Isso não é um verdadeiro envolvimento, criticar nunca resolveu nada e nem vai começar agora.
É muito bom você estudar a história e se apaixonar, se bem que é exatamente essa paixão que está faltando agora. Na minha escola, principalmente na minha sala os alunos são de classe média para cima; por isso a situação do país não os incomoda, eles podem pagar escola, plano de saúde, segurança e outras coisas básicas que faltam nas outras classes. Faço parte desse grupo ainda que tudo isso me incomode. Pessoas vivem com menos que muitos amigos ganham de mesada, isso é assustador. Esses que tem muito reclamam que tem pouco dinheiro enquanto os que pouco possuem são alegres e bondosos. O contraste vem da grande divisão que o país tem. Brasil: o país da diversidade é dividido por classe social, religião, time de futebol e qualquer outro rótulo. O que todos esqueceram é que somos filhos da mesma nação; nação essa rica em beleza e outras coisas. Me apavora ver que as pessoas se incomodam mais com o governo de outros países enquanto o do seu próprio país está cada vez mais corrupto. Na escola mesmo aprendemos mais sobre os EUA do que o Brasil – quem sabe todas as guerras em território brasileiro?
Não sou a pessoa mais justa do mundo e nem entendo muito bem a política. O pouco que sei é o bastante para separar essa alienação que a maioria dos jovens vive. Não se pode apenas descobrir isso, você tem que querer mudar, AGIR, é a próxima regra. No dia 12 de outubro haverá uma passeata: “Unidos contra a corrupção” na Avenida Paulista organizada pelo grupo Nas Ruas e outros grupos. Amo meu país e quero seu bem , preciso ajuda-lo ao invés de larga-lo como é o grande sonho de muitos. Eu estarei lá porque argumentar apenas aqui já não me basta, espero que as pessoas que leem esse post esteja se conscientizando de toda essas entrelinhas da sociedade que vivemos. Quem não mora em SP não precisa se preocupar, terá outras passeatas em outros estados.
Como em um filme que assisti – V de vingança, recomendo – a população não pode ter medo de seus governantes, os governantes que deve temer sua população. Chegou a hora de se movimentar, de escrever uma nova história onde todos podem ter as mesmas coisas.
Depois dos homossexuais e adeptos ou simpatizantes da cannabis saírem às ruas para reivindicarem seus direitos. Chegou a hora dos BRASILEIROS irem a luta. Meu único pedido é que não me envergonhem. Cansei dessa juventude que gasta muito dinheiro e tempo com artistas internacionais enquanto não conhece sua própria cultura.
Desculpe pela aleatoriedade no texto a culpa é toda da indignação, que você também deveria ter.

domingo, 25 de setembro de 2011

Vendida



Me vendi! Admito, EU ME VENDI para a burguesia. Todos os planos de anos atrás e repudias são hoje totalmente diferentes.
Diga-me o que é se vender? Fazer novos amigos? Frequentar lugares burgueses? Vestir-se de um modo diferente? Enriquecer sua cultura? Foi por essas atitudes que fui julgada e condenada. Vocês dizem que eu mudei, jogo-lhes na cara que estou amadurecendo. Nossos caminhos pegaram atalhos diferentes, subir num ônibus verde não me contenta mais como a vocês, eu quero e preciso passear nos ônibus amarelos, azuis, vermelhos, todas as outras cores possíveis.
Não sou ingrata e deixo bem guardado todos os momentos que vivemos juntos, vocês todos me levaram de um jeito ou de outro para o lugar que estou hoje. Sinto falta de cada segundo que compartilhamos mas no entanto esses segundos já se passaram e agora vivemos outra realidade. Dói ver que o retrato foi o único a sobrar porém me dói ainda mais pensar que acabou, por isso estou sempre a espreita observando de longe cada vidinha que me alegra porque para mim amigos de verdade só lhe desejam o melhor mesmo de longe, muito longe.
Novamente admito que me vendi mas não me arrependo e parece ruim na sua percepção porém é um modo de vida legal e deslumbrante. Apostei alto, perdi e ganhei, estou feliz com cada decisão, todos os méritos são exclusivamente meus. Pareço uma traidora, mas nessa minha vida nada se perde tudo se agrega. Afinal uma vida de proletariada burguesa ainda é uma nova experiência, e toda experiência pode ser uma grande descoberta para o mundo ou um grande fracasso.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Colcha de retalho



Uma vez na aula de filosofia meu professor nos disse que nossa personalidade é uma grande colcha de retalhos. Possuímos características das pessoas que admiramos e é exatamente por isso que somos diferentes. Acredito eu que ninguém gosta 100% da mesma coisa que outra.
Do dia 01 a 11 de setembro aconteceu no Rio de Janeiro a Bienal do Livro contando com a presença de muitos autores internacionais e nacionais. Infelizmente não foram todos esses autores que se disponibilizaram a vir para São Paulo. Enfim, a Lauren Kate escritora da série Fallen – série onde tem um dos meus Personagens favoritos – fez uma tarde de autógrafo e lançamento do 3° livro da série: Paixão no Shopping Morumbi. Com bons argumentos convenci meus pais deixarem eu ir. Junto com o meu amigo Gabriel Mazaro do blog Pro-Ex-Zaz fomos direto da escola para lá. Chegamos às 14hrs e mesmo a Lauren Kate chegando apenas 18hrs fiquei com a senha de número 50, na fila vi blogueiros famosos como a Leitora Compulsiva, encontrei o emprego dos meus sonhos e fiz amizade como no Jardim de Infância – beijos Karina -. Confesso que fui apenas pelo glamour de ter um livro autografado e acompanhar meu amigo que é muito fã da série, já que a única coisa que sabia referente a escritora é de que ela se inspirou no marido fazer o Cam. Mesmo não sendo minha escritora favorita autografando o livro eu realmente adoro essa série por isso não pude evitar de ficar nervosa quando a fila começou a andar e caiu a ficha de que iria conhecer a escritora.

A Lauren Kate é muito mais bonita pessoalmente do que nas fotos da orelha dos livros, foi super profissional e até começou com a tarde de autógrafo 15 min. Antes. Ela brincou com o Gabriel – que estava na minha frente na fila – quando chegou minha vez eu comentei que era meu aniversário, ela ficou tão feliz me deu parabéns, autografou meu Fallen com um “Happy Birthday” e o Tormenta ela pediu para que soletrasse em português, nesse momento já não me lembrava mais do alfabeto em inglês e falei tudo em português mesmo, saiu um “Feliz Aneversário” – ela não entendeu o ‘i’” - muito fofo. No último livro lançado, Paixão ela autografou “Achar sua paixão” uma pequena praga escrita também em português. Depois dos meus livros autografados ela me abraçou e tiramos fotos. Sai da sala tremendo e muito contente do meu inglês SOS não ter me envergonhado – tanto.
Sabe o que eu realmente aprendi com tudo isso? Não pudemos julgar o livro pela capa – literalmente – já que apenas comprei Fallen por causa da capa e julgava a Lauren Kate uma esnobe. Muitas vezes quando leio o livro me encanto pelos personagens e me esqueço de dar o devido crédito para os autores que nós proporciona tamanho prazer ao viver a história junto com os personagens. Vi que os personagens vive dentro dos autores. Hoje eu realmente aprendi a ver os autores de um jeito diferente.
Ter um livro autografado não é apenas um luxo, o prazer em que se tem ao conhecer o escritor é inexplicável. Jamais vou esquecer da minha primeira tarde de autógrafo.

domingo, 11 de setembro de 2011

Perseguida



Estou no mesmo corredor que atravesso todos os dias com a mochila pesada, meu lanche na hora do intervalo, meus amigos ou sozinha como estou agora.
O corredor continua com o mesmo comprimento, cheio de portas de sala de aula com alunos brincando ou brigando mas sempre em vozes elevada.
Lembra-se como andávamos devagar, tentando remediar o máximo para chegar ao final do corredor e termos que nos separar? Atravessamos tantas vezes esse corredor sempre absortos em conversas e envolvidos em abraços. Aquele tempo parece ter sido tão longe agora, só me lembro de tempos bons; do Sol quente e você reclamando por eu ainda estar de moleton ou de você me guiando pelo meio das pessoas enquanto ficava de olhos fechados com a cabeça encostada em seu peito. Tantas coisas aconteceram nesses últimos tempos, perdi e ganhei tantos sentimentos, agora o que me restou foi a travessia do corredor em dias chuvosos, ensolarados e nublados com uma neura de perseguição na cabeça. Todos estão olhando para mim; para as minhas olheiras profundas, para a minha franja loira no meio de tanto cabelos negros, ou o meu moleton num dia de calor.
Meu pesadelo de ser perseguida num corredor, aquele que acordava no meio da noite e te ligava agora está acontecendo de verdade e diferente do sonho onde você me carregava para a salvação são as minhas pernas que com algum esforço me tira do perigo. Por que isso é a vida real e aqui não é um sonho, não existe tempo para esperar um herói, a salvação depende de mim – fisicamente e psicologicamente.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Somos tão jovens ainda



Era mais um dia comum com uma pausa no serviço para o almoço, me vejo sentada na praça de alimentação do shopping com o estômago à roncar e os olhos à captar. Para uma pessoa com tanta imaginação um simples sorriso já agita as ideias.
O almoço demora para chegar, já não sinto a fome que aperta pois um casal da mesa na minha frente me chamou a atenção. Reparo como a menina fala sem parar e o garoto desenha num caderninho. Imagino que já está a noite em algum restaurante que precisa de reserva para se usufruir. O casal que não passa de dois adolescentes no auge dos seus dezesseis anos chega de carona no carro do pai do garoto que vestiu sua calça jeans preta, uma camisa xadrez com um colete preto; abre a porta para a namorada que veste saia de tule preta com uma blusa de decote de coração com bolinhas, alguma nova moda teen. Ambos estão tão felizes, o garoto que coloca sua mão em cima da mão da garota que fala sem parar. Existe uma troca de juras de amor, daquelas que os adolescentes copiam de filmes ou textos românticos. E eu? Eu ainda estou esperando meu almoço ficar pronto quando volto para o cenário da praça de alimentação para ver um novo personagem entrar na história. Esse novo garoto cumprimenta o outro com um toque típico de adolescente e beija a garota nos lábios. Sinceramente? Fico tão decepcionada quanto o olhar do primeiro garoto, mas o que posso fazer? Não estamos no restaurante que precisa de reserva e essa não é uma cena romântica, como disse no começo era apenas mais um dia comum na minha vida e na das outras pessoas.